A TransMissão: Associação Trans e Não-Binária tem-se mantido atenta aos desenvolvimentos do COVID-19, declarado uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde. Na população LGBTI+, e especialmente na comunidade trans e não-binária, a grande prevalência de pessoas em situação de sem-abrigo, em trabalhos precários, sem uma rede de apoio adequada ou com doença mental pode torná-las mais suscetíveis à marginalização nestes tempos de crise. Procuramos quebrar este isolamento social através das sessões diárias de encontros trans e não-binários na plataforma Zoom que temos estado a desenvolver, mas sabemos que não chega a todes.
Têm-nos chegado também relatos de pessoas trans e não-binárias com dificuldades relacionadas com sua terapia hormonal; algumas pessoas estão a ter dificuldade em renovar as suas receitas, de testosterona, estrogénio e outros fármacos. Reconhecemos os esforços e a grande pressão a que estão sujeites es profissionais de saúde em tempos de pandemia e agradecemo-lhes pela sua dedicação incansável na prestação de cuidados à população. Vimos por este meio sensibilizar es endocrinologistas, médiques de família e outres médiques que acompanham a população trans e não-binária para a realidade que vivemos neste momento, em que muitas pessoas estão a ter dificuldades em continuar o seu acompanhamento, quer pelo difícil acesso a consultas, como pelas dificuldades na administração de testosterona, uma vez que as farmácias deixaram de fazer este serviço.
Pedimo-vos que recorram, dentro daquilo que as circunstâncias permitam, a uma flexibilização das consultas, quer através de consultas telefónicas, como por plataformas digitais como o Skype ou o Zoom e que facilitem a emissão de receitas eletrónicas (por e-mail e por telemóvel), prezando pela continuação do tratamento destas populações. Para colmatar a falta de serviços de administração de injectáveis, pedimo-vos que reforcem a disseminação de informação sobre estes serviços nos Centros de Saúde e unidades semelhantes, para garantir que as pessoas conseguirem ver os seus injetáveis administrados nas condições apropriadas de higiene e segurança.
Uma interrupção abrupta da Terapia Hormonal tem consequências tanto a nível psicológico – causando ansiedade, oscilações de humor, agravamento da disforia de género e de sintomas de doença mental pré-existente num contexto internacional de ansiedade generalizada; como a nível físico – pessoas trans que tenham sido submetidas a gonadectomias, como histerectomias, ooforectomias ou orquiectomias, deixando de ser produtoras naturais de quaisquer hormonas sexuais e que não tenham acesso aos fármacos necessários à manutenção da terapia hormonal, podem experienciar osteoporose, menopausa precoce…
É por isso muito importante que as pessoas trans e não-binárias possam continuar a aceder às suas hormonas, que constituem uma necessidade médica e que sejam tomadas providências para assegurar este acesso. Mesmo considerando o estado de emergência em que se encontra o país e as limitações do Sistema Nacional de Saúde, queremos que seja tomada em conta a relevância dos tratamentos específicos das pessoas trans e não-binárias, que constituem também uma importância vital.


0 comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *